MEU FILHO NÃO TEM LIMITES E NA QUARENTENA PIOROU. O QUE FAÇO?

Educar os filhos tem sido uma tarefa cada vez mais árdua. Pais e mães se perguntam: como podemos ser pais melhores? Sem saber como agir, se angustiam e vão cedendo na tentativa de fazer o melhor. Em tempos de pandemia, o stress ficou mais intenso.

Você já pensou no mal estar que é viver as situações abaixo, na relação com seus filhos? Essas são dores que muitos pais passam com os filhos.

Quais são as suas dores (mãe, pai, professor\professora)?

 

  • Você está conseguindo estabelecer o “novo normal” com os filhos?

  • As aulas virtuais, lhe têm deixado enlouquecida(o)?

  • Consegue administrar o home office, tarefas domésticas e as aulas virtuais?

  • Brigas entre os filhos. Consegue administrá-las?

  • Quem de vocês vive com os filhos quer pequenos, quer adolescentes uma crise de autoridade? Inversão de papéis?

  • Você está desesperado por que não tem autoridade com eles?

  • Você permite que eles vivam frustrações? Permite que fiquem tristes?

  • Passa por conflitos com seu marido\esposa quanto a divergências na educação dos filhos? E a interferência dos avós, acontece?

  • Quem de vocês sente culpas por que trabalha muito e deixa de estar com eles?

  • Quem de vocês não foi liberando, facilitando, deixando para lá coisas ou circunstâncias que foi fazendo com que seu filho achasse que a vida é fácil e assim, ele foi sendo atendido e foi ficando sem limites?

 

Precisaremos pensar a criança em dois momentos distintos, porque são maneiras diferentes de entender a falta de limites deles e a sua dificuldade para colocar limites neles:

  1. Limites, antes da quarentena

  2. Limites, na quarentena.

E por que tem diferença nesses dois contextos? O que a criança nos comunica em termos de ter ou não ter limites, nesses dois tempos?

Primeiro, vamos entender o que é limite?

É aquilo que nossos filhos vão desenvolver ao longo da vida para saber até onde podem ir ou podem fazer. Esse trabalho é feito pelos pais, porque são eles que sabem os limites dos filhos e dizer “não” ao filho não é traumático, faz bem. É assim que se aprende as regras. Os limites começam a ser estabelecidos desde o nascimento, quando a mãe, vai definindo a nova rotina. A criança que conhece limites, se sente mais segura para a vida e tudo começa em casa (escovar os dentes, guardar os brinquedos, lavar o cabelo, por exemplo). Mas, a criança vai lhe testar e você percebe a tentativa dela de levá-lo para o confronto. Você sabe que tem de agir, mas não sabe muito bem como.

 

Ensine à criança que há consequências para as decisões que tomamos, boas ou ruins.  Muitas vezes os próprios pais acabam perdendo a linha, por não achar o equilíbrio. Às vezes são permissivos ou são extremamente rígidos, com medo de perder o controle dos filhos. Geralmente, os mais autoritários enfrentam a revolta dos filhos e os permissivos, acabam tendo que lidar com sintomas de ansiedade, porque, sem limites, a criança se sente perdida.

Quando pensamos em limites, logo vem à cabeça a imagem de algo que nos freia, que mostra que chegamos e não devemos avançar. Não ter limites, refere-se a não atender as regras estabelecidas para a boa convivência.

1.         Ausência de limites, antes da quarentena

Em tempos de pandemia, torna-se diferente uma criança não ter limites daquela criança que não tem limites em qualquer outro tempo.

Atualmente o mundo vive uma crise relacional, crise de autoridade e aqui estamos falando sobre a crise na relação pais e filhos.  Provavelmente vocês estão vivendo essas dificuldades. Eu sei onde dói na vida de vocês, circunstâncias como essas. É como se tivessem perdido a autoridade de ser pai, de ser mãe.

 

Limites e a vivência de frustrações.

Quando a criança não pode realizar o seu desejo, tem que parar e viver o sentimento de frustração, porque o limite está estreitamente ligado à ter que passar pela frustração, pelo páre, não poder continuar atuando da maneira que ela deseja.

Mas, por que isso acontece? Qual é a causa dessa dificuldade?

Seria a frouxidão dos vínculos? A correria? O cansaço? O stress? A busca do ter, a necessidade de turbinar o curriculum, o culto ao corpo?

Parece que quase tudo tem substituído o encontro, o afeto nas relações. São promessas, viagens mirabolantes, presentes espetaculosos e tudo vira uma vida de glamour. Atenção, precisa ter afeto, acolhimento, troca?

 

Frases como “Não reprimam seu filho, seja amigo de seus filhos, liberdade sem medo”, passaram a ser praticadas de modo tão linear que pais e filhos passaram a ter os mesmos direitos. A autoridade é importante e necessária, não confunda com autoritarismo

Observamos, hoje, a falência da autoridade dos pais em casa, do professor em sala de aula, do orientador na escola. A tarefa de educar os filhos em 1º. lugar é da família, depois é da escola. Se a família não cumpre a parte dela, a escola, tão somente, não dará conta.

Para colocarmos limites será preciso termos limites. Se ficamos frouxos para assumirmos essa importante ação, os filhos vão ocupando o lugar do pai\mae lugar na dinâmica da casa, pois de fato, você está se retirando do seu lugar de importância e está mandando a mensagem de que ele pode ser aquele que determina essa mesma dinâmica.

Embora reclamem, as crianças dependem do controle dos adultos. Quando não tem esse controle, sentem-se poderosas e ao mesmo tempo, perdidas. Lhes faltam referenciais, parâmetros. Hoje, há muitos pais com medo dos próprios filhos.

Enfim, os limit

 

Os papéis se inverteram e se instalou a crise de autoridade. Acontece que muitos pais foram dizendo sim para quase tudo e consequentemente, foram ficando frouxos, frágeis e quando diante da necessidade de dizer não, dizem sim.

Em minha prática clínica, tenho visto o esforço que uma grande parte de pais e mães faz para serem os "melhores amigos" de seus filhos, dando-lhes de tudo.  Por que isso tem acontecido? No passado, o autoritarismo deixou os filhos com medo dos pais e, no presente, os pais, por se mostrarem frágeis, são percebidos pelos filhos com menosprezo por vê-los perdidos, como eles.

A educação tolerante demais traz consequências. Os filhos precisam sentir que os pais são seus pontos de referência, seus modelos para a formação de identidade.

2.         Ausência de limites no período da quarentena

 

Em tempos de pandemia, pais e filhos estão confinados, portanto, estão muito juntos. Mas, tudo o que antes da pandemia desejava-se tanto (ficar mais com os filhos), na quarentena tornou-se um problema, porque a falta de limites\regras das crianças apareceu muito mais.

Antes da pandemia, na correria do dia a dia, a falta de limites das crianças era tamponada por compensações (presentes, viagens, permissões, concessões), agora ficou exposta a tal ponto que os pais estão exauridos, surtados, descabelados porque lidar com todas as imposições que a pandemia traz, não está fácil (aulas virtuais, espaços para o home office do marido, da esposa, das aulas virtuais de cada filho, tarefas domésticas, lições e outros).

A nova rotina ou ainda, na confusão de uma nova rotina, o stress gerado está no topo. E com filhos sem limites, tudo só piora.

Quarentena sem surtar foi a minha 1ª live, na qual abordamos esses aspectos e nessa live, caminharemos o caminho das pedras com soluções. Você vive, convive com essas queixas, dito de outra foram, passa por essas dores, a dor de não conseguir adaptação para tudo que o cenário tem exigido: o novo normal e suas necessidades?

Ações práticas:

1.         Comunicação com seu filho, tem sido clara o suficiente ou tem ruídos atrapalhadores? Quero dizer que, entre você e seus filhos, as regras são claras? São coerentes? São justas?   

A partir da quarentena, pais e filhos estreitaram as suas relações no contexto do convívio físico. Imaginem a cena: todos em casa, rotina está estabelecida ou não está sendo cumprida. Aí, você se dá conta que a comunicação entre vocês não está boa, todos estão agitados, tensos, inseguros, sem limites.

Em tempos de pandemia, estamos vivendo frustrações múltiplas. Festas, casamentos, viagens, planos adiados, liberdade impedida, direito de ir e vir interrompido, entre outros. Estamos vivendo sob um mar de incertezas e nesse contexto, os pais vivem a angústia de não saber o que falar aos filhos, porque eles também não sabem para si. 

Vamos pensar na criança que se mostra agitada, desobediente, com sono alterado, que está comendo muito ou o contrário, com choro fácil, está intolerante com o irmão menor.

Vamos pensar nos motivos:

Ela perdeu, ainda que temporariamente, um monte de coisas e está mais assustada que os adultos porque vê nos adultos um ar de muita preocupação. Essa criança não pode ir à escola, não encontra os amigos, a professora (inicialmente até pareceu ser bacaninha, mas com o passar do tempo a falta foi percebida, sentida e sofrida, não poder ir ao parquinho, não poder ir passear, não pode brincar na casa dos amigos e nem eles, virem à cada delas). Enfim, as crianças ficaram estressadas, assustadas pelo o que pode estar acontecendo de tão grave que na televisão só fala de morte e só se vê caixões sendo enterrados. Como assim?

Nós adultos, também fazemos isso na vida com o chefe, com os próprios pais, com os amigos, no casamento.

No caso da criança, ela projeta o ódio\raiva por tudo isso, projeta as suas incertezas\angustias\inseguranças nos pais e por não conseguir revolver essa “batata quente” sozinha, repassa em seus comportamentos. Se puder esfriá-la, tenta compreender as próprias angústias.

Ela joga as angústias no pai e\ou na mãe e\ou nos irmãos, através de seus comportamentos agitados, inquietos, agressivos, ansiosos, porque ela não dá conta de resolver sozinha por ser, ainda, imatura e não tem recursos internos suficientes para tal.

O mundo mudou e os limites foram impostos, mundialmente. As frustrações foram aumentadas e  criança por ser quase sempre muito atendida, nem sabiam que isso existia.

Imaginem comer muito, mais o que o seu sistema digestório dá conta. Então, você fica atolado de alimentos e passa mal. Algo parecido está acontecendo com as crianças, que estão passando mal com tanta angústia, tornando-se agitadas e agita a todos, por não conseguirem entender os sentimentos delas.

ATENÇÃO: Queixas, choro fácil, gritos, agressividade, bater no irmãozinho. Será preciso colocar um limite tão somente ou digerir para a criança aquilo que ela não está conseguindo?

Será preciso traduzir, decodificar a comunicação que a criança está fazendo e transformar em algo que seja alcançável, palatável para ela. Como? Acolhendo, ouvindo-a, respeitando esse momento que ele não sabe dominar – lembra-se da batata quente? Acolher, ouvir e transformar as angústias dela. “Vamos passar por isso juntos...isso vai passar...imagino que está doendo muito em você ficar longe da vovó, do vovô, dos seus amigos, de sua professora...eu estou junto com você...”

Dessa forma, o descontrole, tédio, dificuldades de aprendizagem, comportamentos agressivos, birra, tenderão a se acalmar porque a criança foi respeitada em seus sentimentos. Ela pediu ajuda e você compreendeu e parou para ajuda-la. Vão fazer um brigadeiro juntos, estourar milho e assistirem um filminho mela mela...      

Os adultos também fazem isso o tempo todo, sem perceber. Como? Procurando culpados (na China, na política, no vizinho...).

 

Tem solução?

A partir da minha experiência, digo aos pais que a criança não precisa ter tudo o que quiser, pois, quando crescer, acreditará que o mundo tem obrigação de lhe dar tudo o que deseja. Assim, não conseguirá suportar a frustração pelos NÃOS ouvidos (ele não será, necessariamente o candidato selecionado para a vaga de emprego, não será o escolhido pela garota que lhe interessa, perderá a vaga no estacionamento, porque outro condutor chegou à sua frente etc.).

Esse cenário poderá ser evitado, se os pais atuarem como modelos pertinentes com seus filhos, serem coerentes do discurso às ações e estabelecerem com eles, uma comunicação suficiente para que os acordos sejam possíveis de alcance.

Acolha as angústias dos filhos. Eles não estão agitados, tão somente, nesse momento. Estão confusos, preocupados, seus referenciais (os pais), também não estão bem...tente entender que a “batata está quente” e ele não sabe esfriá-la e joga para você através de comportamentos desadaptados.

Diga-lhe: “sei que as aulas virtuais estão mais difíceis para você e provavelmente, para seus amigos mais do que as aulas na escola. Estamos vivendo um momento...e lhe dê todas as explicações para ele se acalmar e assim, você, também se acalmará.

Não é simples e não é rápido, mas trará muita eficiência à comunicação de mundo, por você pai, mãe.

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