Pandemia emocional: emoções em desequilíbrio

July 14, 2020

 

 

Pandemia emocional, emoções em desequilíbrio, porque como psicóloga, tenho observado no dia a dia, um emaranhado de emoções que a crise causada pelo novo corona vírus provoca. Altos e baixos, uma corrente de apreensão constante. As pessoas estão cada vez mais ansiosas, depressivas, angustiadas, estressadas, pessimistas (só falam do caos, só comentam notícias ruins), colocam pilha em tudo o que está acontecendo, promovendo inclusive, a difusão de fake news. 

O covid nos impõe a enfrentar o medo e a viver angústias, pois estamos vivendo dias de incertezas. O medo nos faz agir, sermos precavidos, avaliarmos riscos, calcular estratégias. Pelo medo, lavamos mais as mãos e obedecemos à quarentena.

A vida ficou em suspenso, os objetos de prazer, de segurança, os planos, a liberdade para ir e vir, tudo ficou suspenso e as pessoas estão ficando cada vez mais assustadas, pois tiveram que mudar suas vidas sem terem sido consultadas. 

Emoções em desequilíbrio desencadeada pela quarentena: estado de depressão, stress, tédio, insegurança, medo, angústia, duvidas e até pânico, pois as incertezas quanto ao futuro, a eficácia ou não das medidas tomadas  (a curva que não achata), faz o cenário parecer assustador, aumentando nossa ansiedade que aumenta o stress, uma dupla perigosa, causadora de problemas muito graves à saúde. 

As perdas vividas e outras anunciadas, os prejuízos financeiros, a incerteza quase absoluta no amanhã, nos provoca um estado atrapalhado de viver, como se estivéssemos num labirinto interminável, no qual o tempo parece não passar e nossos sentimentos ficam desregulados, desequilibrados, desalinhados, fora de controle.

Quando voltaremos a fazer planos de viagens longas, quando tornaremos a abraçar, beijar nossos parentes e amigos? Desfrutar de um passeio em família? Voltar ao trabalho e rever nossos companheiros de labuta? QUANDO? QUANDO? Parafraseando o Prof. Raimundo, personagem do Chico Anísio.

Temos ouvido:  Estou estressado. E o que é estar estressado? 

Toda essa nova rotina exige uma adaptação que não está sendo fácil, porque estamos vivendo um mar de incertezas. O que vai acontecer comigo? E com meus filhos? Como será SE eu for contaminada? Meus bens ficarão perdidos? E as próximas férias...meu Deus! 

Estamos esgotados. Quando tudo isso vai acabar? Não sabemos, ninguém sabe pontualmente. Quando as coisas voltarão ao normal? A pergunta que vem antes é: “Que normal”? Eu responderia o novo normal que abordamos na live de duas semanas atrás. O que será “normal” depois disso. Depois? Quando será depois?

Estamos vivendo uma realidade desafiadora e sem precedentes. É preciso tentar manter a tranquilidade para enxergar os fatos com equilíbrio. Sendo assim, o melhor é se cuidar, fazer a sua parte para proteção de todos, viver um dia de cada vez e manter a calma. 

MAS, O QUE FAZER ALÉM DE FICARMOS ASSUSTADOS, TEMEROSOS? 

OU SEJA, PRECISAMOS RETOMAR O CONTROLE DE NOSSAS EMOÇÕES.

Sabemos que temos que manter o distanciamento social para achatar a curva e outras ações definidoras para nos mantermos vivos. A luta contra a ameaça de um inimigo microscópico parece ser inglória, mas não podemos entregar os pontos. 

Enfim, estamos sob a mira da morte (e sob o risco de ficarmos em depressão, em pânico e para quem já tem TOC, poderá ter o quadro intensificado, por exemplo).

MAS, SÓ ISSO NÃO BASTA. ENTÃO, COMO CONTROLAR O DESEQUILIBRIO DE EMOÇÕES? 

Ansiedade que nos invade. Por que isso acontece?

  • Porque não temos controle sobre o que está por vir.

Ansiedade é o excesso de futuro nas cabeças das pessoas. É quando se pensa só no que está lá na frente, no futuro. A pessoa se “distrai” com o futuro que não dá conta de controlar e por não ter controle sobre isso, fica fora de si, com um nível de ansiedade sem controle.

  • Pense no agora, valorize o hoje, o presente. 

  • Use a tecnologia a seu favor;

  • Aprenda algo novo. Instrumento, língua, assista a vídeos dos shows preferidos.

  • Não vibre o medo, não vibre o pior, não vibre a escassez

  • Celebre seus feitos\progressos. Se faça esses carinhos;

  • Expresse gratidão ou qualquer outro sentimento bom, positivo. 

  • Medite para liberar a tensão, seu sistema imunológico agradece

  • Alimentemos seu cérebro de boas práticas. Ele só entende o SIM e o NÂO. Então, vibre o SIM, vibre a favor de si mesma e todos ganharemos. A energia positiva, melhora tudo e a imunidade se eleva; 

  • Evite o bombardeio de informações, que só gera preocupação e estresse;

  • Chore se desejar, não negue a sua angústia. Assuma para gerenciar melhor, suas emoções; 

  • Apoie as crianças em suas emoções. Os sentimentos delas são reais, respeite-os. 

  • Orar também é muito bom. Clame ao seu Deus pelo controle da situação\cura.

  • Faça atividade física;

  • Doe-se. Doe atenção. Força na solidariedade, humildade;

  • Passe msg, dê telefonemas (ao ouvirmos a voz da pessoa, nossa adrenalina reage). Diga-lhe que está por perto para ajudar de alguma forma.  Ao fazer isso, você também fortalece suas conexões;

  • Brinque de encher bexigas (ótimo exercício para os pulmões, órgão tão afetado pelo corona vírus), de show de calouros, de quem quer ser um milionário, de dobradura, de falar inglês (pode ser embromation); 

  • Faça as lições da escola com os filhos.

A pandemia tem nos ensinado muitas coisas. Por exemplo, quanto às nossas ilusões de controle e dominação sobre o mundo e sobre o nosso destino. A pandemia revelou nossa insignificância, destronou nossa arrogância, ambição, tempo, realçou nossas fragilidades, desatinou nosso egoísmo e vaidade. O medo da morte trouxe igualdade. A nação de cada um, tornou-se o mundo.

Reflita, mergulhe para dentro de si.  Fique consigo mesmo, porque a saída é para dentro.

Consumo aumentado de anti depressivos, de suicídios e quando o stress cresce, o melhor é não demorar a procurar ajuda. Procure um psicólogo.

Alguns dirão: acalme-se!

Acalmar-se é algo que ninguém pode fazer por você. Não são as entrevistas ou os objetos (máscara, luvas, álcool em gel) que lhe acalmam. Você se acalma, a partir de si mesmo, porque o medo (veem de fora) se combate com precaução e medidas práticas e a angústia (vem de dentro), se controla com conteúdo internos, aquilo que você traz de dentro de si, sua bagagem interna, sua segurança\insegurança.

Meu convite à todos é o de podermos lidar com a incerteza prolongada, aquela sensação de nos sentirmos à deriva e não sabermos quando esse sentimento terminará. Mesmo enfrentando dificuldades variadas, precisamos rezar, clamar ao céu pelo dia que poderemos sair com segurança e voltarmos aos lugares que colorem nossas vidas, diariamente. 

Outro sentimento que tem deixado as pessoas em desequilíbrio é a perda do que não se perdeu. Ou seja, tem-se a sensação de que já se perdeu tantos coisas (liberdade de ir e vir, segurança, controle, confiança, desejos adiados, viagem, festas, casamento, planos enfim). E o que, ainda poderá acontecer? A grande sabedoria é vislumbrar pelo retorno a tudo isso na pós pandemia. Isso significa perder sem ter perdido, tudo voltará.

É uma espécie de luto pela perda da normalidade e da conexão vigentes, até então. Não estamos acostumados ao sofrimento coletivo pairando no ar. Tivemos que sair da zona de conforto, do controle que achamos que temos sobre coisas e pessoas.  

E quando antecipamos mortes? Que loucura, que medo e a pessoa pira. É uma espécie de luto antecipado. Não se perdeu, mas parece já ter perdido.  

O grande medo provocado por tudo isso é quando a pessoa perde a esperança. Precisará de ajuda profissional. Mais perigoso que o corona vírus são as pessoas que estão desistido de sonhar.

O estresse é tristeza, desamparo e desespero pela incerteza do futuro. Depois de meses em quarentena, nossa incerteza prolongada, perdas e lutos, reais ou antecipado, precisam serem trabalhadas para não enlouquecermos. Às vezes, joga-se essa carga emocional nas pessoas e que, também, tem a carga emocional dela. 

Tenho ouvido nas sessões, agora on line, que no início da quarentena era gostosinho dormir de conchinha, assistir séries, cozinhar juntos, mas agora a relação já estressou. A ansiedade de cada um, as incertezas vigentes para todos, as noticas...e estamos vivendo crise para além do covid 19, a crise política também nos provoca mais incertezas. 

Para lidarmos com a crise, dependeremos de nossa capacidade de manter a esperança encontrar significados internos. Ou seja, ativemos a nossa capacidade de transformar os aspectos negativos em algo positivo ou construtivo.

Este é o momento da confiança mútua em massa.

O que podemos fazer sobre isso? 

  • regulação do estresse: identificar e articular nossos sentimentos. 

Não diga apenas “estou estressado!”. Coloque seus sentimentos em palavras. Caso contrário, ficará mais estressado e contribuirá para um estado de angústia empática, que é a capacidade de você aceitar os próprios sentimentos para se conectar aos sentimentos das pessoas. Você pode desligar-se dos sentimentos dessas pessoas, porque não permite os seus. 

  • Analise o seu estresse e verifique cada emoção: culpa, vergonha, desamparo, desespero, raiva, confusão, solidão, ambivalência de sentimentos. Verifique, também, gratidão, amor, respeito, compaixão, solidariedade.

  • Grupos virtuais nos mantem sociais, ativos. Recurso incrível. 

  • Pais, conversem com outros pais. Crianças, conversem com outras crianças. 

  • Inicie um grupo de yoga ou o que mais você gostar

  • Ligue para as pessoas enquanto cozinhar, andar. Isso acontece na vida normal. 

  • Voluntariado – ajudar o outro dá senso de propósito. 

  • Vamos engordar uns quilos.

Não procure culpados. Ninguém é culpado e nem vítima. 

Gere gentileza. Ato que aquece o coração, a ocitocina aumenta e a sensação de bem estar, de felicidade melhoram o seu sistema imunológico.

Ao término do isolamento social, não saia por aí retomando tudo alucinadamente. Se dê tempo para se ajustar a esse retorno, crie uma rotina nova, mantenha o controle sobre seus horários (refeições, trabalho, atenção aos filhos). 

As crianças precisam retornar inicialmente ao encontro com os amigos, com a escola, com os professores, brincar, pular, correr. Depois, as atividades acadêmicas.

PENSE NISSO!

 

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