OS DESAFIOS DAS AULAS ONLINE: ASPECTOS JURÍDICOS, EMOCIONAIS E RENDIMENTO ESCOLAR

July 28, 2020


 

No que as aulas presenciais e as virtuais diferem?
 

As aulas presenciais são muito diferentes das aulas virtuais e as pessoas estão tendo que se reformular, porque são experiências diversas. Em cada uma delas,há linguagens subjetivas e a criança (o aluno) apresenta temporalidade diferente.
Ou seja, uma coisa é estar ao vivo com seus amigos, professores, ambientação física da escola, da sala de aula e outra coisa é estar em frente a uma tela, na qual suas reações físicas são restritas, as reações faciais não são tão notadas, não há o olho no olho.
A criança quase não se mexe e tem que ficar ligada nos movimentos dos colegas e da professora e ela não pode opinar.
Sua orientação de tempo, também é muito diferente numa aula presencial e em aulas virtuais. Na presencial, ela levanta a mão e logo é notada. Na aula online,ritmo, participação, expressão e linguagem têm outros tempos. Não é só levantar a mão e ser atendida, nas aulas virtuais o tempo é outro. Então, a diferença básica é que são experiências subjetivas por terem linguagens diferentes, alcances diferentes.
As crianças precisam experenciar para se adaptar.
Elas são seres mais resilientes do que os adultos.
Voltam ao seu formato, eixo, lugar e se reintegram à vida nova com menos dificuldade, mesmo com perdas significativas.

As crianças estão reclamando que ficam cansadas...

Vamos pensar em variáveis que estão interferindo muito nessa nova dinâmica (aulas online), INICIALMENTE o que a escola pode fazer:

1. Considerar a idade da criança para adaptar estratégias;

2. Considerar o horário de início das aulas. Aula que inicia as 07 horas não é produtivo. Lembrem-se que as crianças estão interagindo com uma tela e terão que ficar atentos há algo que não foi despertado neles ainda, para essa natureza. Não estamos falando de joguinhos virtuais. A criança precisa se movimentar, aliás ela é toda movimento e frente a tela, tem que ficar contida. Ela precisa se levantar, se movimentar, experimentar o próprio corpo, pois a grande aprendizagem é corporal. Com o computador, a interação é mecânica. Causa desinteresse, sono, ela sente-se sozinha;

3. Fracione os horários, os quais devem ser diários como nas aulas presenciais e com duração breve (40`) em função da idade, do ano escolar;

4. Considere atividades interessantes, motivadoras (de qualidade), que mobilize participação e não apenas, “escutação”, massificação. Ou seja, use recursos criativos para além do papel e lápis e agora, da tela.

• Escolas: selecione conteúdo primordial e crie um contexto.
• Sugestão: aplique ao cotidiano escolar o assunto que mais se fala no mundo, assim provocará na criação engajamento pelo aprendizado. Explorar a real do mundo.

Covid-19, quem é você?

Conteúdo que poderá ser estudado por várias ou todas as disciplinas:
 

Geografia: origem do vírus, características do lugar\relevo; localizações do corona vírus pelo mundo;

História: histórico da China/dos chineses ;

Inglês: línguas dos lugares onde o corona vírus já passou; Matemática: número de mortos, proporcionalidade, porcentagem;

Ciências: constituição do corona vírus, reações no corpo, órgãos mais afetados, funções que se tornam debilitadas, sintomas;

L. Portuguesa: conceito de vacina, profilaxia, verbo infectare tantas outras possibilidades.

• Faça da sua cozinha um laboratório de ciências, matemática, química, língua portuguesa (montagem de um livro virtual), coordenação motora (Ed. Física), língua estrangeira...

Aprender a cozinhar. Escolher ou propor receitas para o preparo.O professor pode propor que o preparo de uma receita, o compartilhamento da receita e a elaboração de um livro virtual.

• Aula de teatro: Peça estimulando a leitura.

• Aula de ciência: estudando as plantas da casa (ciências/biologia/língua portuguesa/história/geografia/inglês/matemática).

São propostas pouco escolares? Todas essas propostas têm a ver com as disciplinas escolares. Rende aulas interessantes, dentro de uma realidade absoluta. Isso é fazer pedagógico.

Por que muitas crianças ficam entediadas?

Houve acolhimento inicial?
Rolou o encontro, ainda que virtual?
Receptividade, tipo “estava lhe esperando”. Isso precisa acontecer, pois substitui o abraço, o beijo, o sorriso...
Sala de aula virtual pode estar uma bagunça: microfones desmutados e os ruídos ficam sem filtro, produzem muito barulho e ninguém escuta ninguém.
Aulas sem interatividade.

O que os pais podem fazer?

Dependendo da idade da criança, nas aulas virtuais, os pais são convocados a ajudá-los. Então, pais: planeje uma rotina (rotina é libertador) e mantenha a disciplina (as crianças lhe seguirão). Observo que os pais estão muito preocupados com o conteúdo programático.E emocionalmente, como estão seus filhos?
Angustiados, aflitos, nervosos com o você.
Se as crianças ficarem na angústia manifesta pelos pais, pelo nervosismo vigente na casa porque os adultos não estão sabendo estabelecer a rotina, as crianças poderão produzir sintomas e por não conseguirem manifestarem palavras as suas inquietações, podem ser tornar inquietas, ansiosas, vorazes, agressivas, desorganizadas, intolerantes, choro fácil, dentre outros comportamentos descompensados.
Pais, vamos parar de mimimi, as crianças estão radiantes porque estão junto com vocês. Quando teremos outra oportunidade de ficar dois, três, quatro meses em casa, outra vez?
Estão esperando terminar a quarentena para serem felizes?
Aí, descobrirão que eram felizes e não sabiam, é aquilo de procurar culpados.
Não há escolha, criemos a capacidade de viver o momento.
Nunca passaremos tanto tempo com elas como agora, por isso não percamos esse tempo precioso dando deveres.
 

Estamos trocando o pneu com o carro andando. A rotina é nova para todo mundo. Todos precisaremos de tempo para nos adaptar a esse novo normal. Daí, a importância de sermos resilientes.Aproveitemos a riqueza que temos no momento, maior tempo de convivência aliada à parceria de sermos pais-professores.
Poderão dizer: “eu não tenho tempo”.
Sei que estão ocupados, mas organizem essa rotina, essa agenda, usem menos o celular.
Outra proposta é que brinquem, inventem brincadeiras.
Pergunte aos avós na sua próxima vídeo chamada, como eram as brincadeiras no tempo deles.

Importe-se mais com a carga emocional que seu filho está recebendo do que com o conteúdo que, acredita, ele está perdendo.
Esforço descomunal de todos, famílias e escolas. Considerando que o universo é outro, temos que nos reinventar para encontrarmos nos mesmos em nós e daí ajudarmos nossas crianças. Todos estamos tentando fazer da melhor forma, minimizando perdas. Mas, perdas acontecerão.
Nesse contexto de guerra, mantermos vivos é tudo.

As escolas, também estão vivendo um momento novo e estão buscando adaptar-se, tornar-se resilientes frente as exigências de tantos pais preocupados com perdas de conteúdo programático dos filhos.
Atenção às emoções e foco na solução. A solução é nos adaptar, sermos resilientes.

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